terça-feira, 12 de abril de 2011

Fonte do Saber

Se pegar na barba não faz chover
As apracatas de Aliana me fez crer
Que Maria não é varão
E que Tõe não é belê
Se Vicente de Paulo é homem
E as Culas perambulam
Por que, então, existe a fome?
E um mal que não se cura.

segunda-feira, 21 de março de 2011

AMOR PERDIDO

Na minha vida você foi tão importante
Fez de mim, que era noite, amanhecer
Mas de repente procurei o amor da gente
Como era triste despedir do meu viver

Fez do nordeste, o meu jardim, uma linda flor
Fez tempestade que jamais esquecerás
Fez um acero e depois me botou fogo
Deixando em mim uma vontade de amar

Hoje me encontro procurando uma saída
Uma porta aberta que me faz te esquecer
Mas sempre volto recordando a despedida
Que me fez triste, mas feliz por ter você

Que triste sina é o pensamento no passado
A lembrança, que é de mim, o meu sofrer
Como num jogo eu sou a carta de um baralho
Sendo jogado nesta vida pra vencer.

domingo, 20 de março de 2011

CONFISSÕES DE BRASÍLIA

Na barganha com o tempo
Troca-se por dinheiro o pudor
Sou o grito no deserto
Sou acúleos duma flor
Do passado, o presente
Sou um sonho que brotou
Pouco se sabe
Tudo se ver
É tudo inconstante
É tudo sofrer
Inflação, fome e sofrimento
Eis aqui o que restou
Sou dum golpe, o ferimento
Que nunca cicatrizou.

RETROSPÉCTO

Em Babilônia, fui amor
Já vivi a solidão
Fui Nabucodonosor
Num castelo de ilusão

Já Pequei, não é bom isto
Já vivi a depressão
Já falei com Jesus Cristo
Com Lamarka e Lampião

Já chorei por um abismo
Já plantei sem emoção
Já vivi no feudalismo
Numa grande servidão

Já briguei com o grande César
Derrotei a solidão
Já fiz parte duma festa
Onde eu fui Napoleão.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Sonhador

Junto ao povo sangrio
Longe do perjúrio e dor
Onde está o meu Brasil
De tanta paz e tanto amor

Já não ouço o canto mil
Do eterno sonhador
Do poeta que não viu
A semente que plantou

Nesses matos sou Gregório
Nesses dias sou Gonçalves
Nessa vida um oratório
Esperando um só milagre. (15.12.98) SP

Senhora Aparecida

Senhora, senhorita
Dona da casa
Cura-me a ferida
E os que feri nessa jornada.

Senhora, senhorita
Cuide de mim
Dê-me um prato de comida
Ofereço-me o teu sim.

Senhora, senhorita
Ofereça-me um café
Faça de minha vida
O que bem você quiser.

Senhora, senhorita
Já é hora, já vou indo
Obrigado, Aparecida
Vou contente, vou sorrindo.

Andorinha solitária

Leve, fumaças
Esvaem pelo ar
Uma visão embalsamada
Uma tristeza do olhar
Numa triste madrugada
Uma andorinha a chorar
Sem abrigo e congelada
Com esperança de mudar
Desse mundo de jogada
Sem o jogo do amar
Leve, fumaças
Esvaem pelo ar
Só não leve minhas palavras
E a andorinha a gorjear. (28.10.97) SP